O erro mais comum na avaliação financeira de uma empresa é ler um único indicador e concluir. Uma empresa com resultado líquido positivo parece sólida. Mas o resultado líquido pode ser positivo enquanto a tesouraria se deteriora, o endividamento cresce e o prazo médio de recebimentos se alonga de forma preocupante.
Há quatro padrões de deterioração silenciosa que os dados financeiros cruzados conseguem identificar antes de qualquer incidente formal.
O primeiro é crescimento de vendas com deterioração de margens
Uma empresa que aumenta as vendas de 20% ao ano enquanto a margem líquida cai de 8% para 2% em três anos está a crescer para fora do negócio. O volume de vendas sinaliza dinamismo; os rácios de rendibilidade revelam que esse dinamismo está a ser subsidiado por pressão sobre os preços ou por custos fora de controlo.
O segundo é capital próprio positivo com endividamento crescente
Uma empresa com capital próprio positivo e histórico de resultados pode ainda assim ter uma estrutura de endividamento que a torna muito vulnerável a uma interrupção de receita. Quando o passivo representa 85% do ativo total e o prazo médio de pagamentos é de 90 dias enquanto o sector opera a 30, a empresa está a financiar a sua atividade com dívida a fornecedores de forma estrutural.
O terceiro é caixa elevada com clientes de cobrança duvidosa
Uma empresa pode apresentar boa liquidez imediata enquanto tem uma carteira de clientes em mora crescente e imparidades de dívidas a receber que absorvem os resultados futuros. O balanço parece sólido hoje; as contas a receber revelam o problema de amanhã.
O quarto é resultado positivo com fluxos de caixa operacionais negativos
Uma empresa pode registar lucro contabilístico enquanto a caixa gerada pelas operações é negativa ou insuficiente para cobrir os investimentos necessários à continuidade do negócio. Esta divergência é um dos sinais mais fiáveis de dificuldades futuras de tesouraria.
"O resultado líquido diz o que aconteceu. Os fluxos de caixa dizem o que vai acontecer. Ler apenas um é ver metade da empresa." — Equipa InfotrustGO