Os rácios financeiros mais relevantes para uma decisão de negócio dividem-se em quatro grupos, cada um com uma pergunta diferente sobre a empresa.
Os rácios de rendibilidade respondem à pergunta: a empresa gera valor?
A rendibilidade dos capitais próprios (resultado líquido dividido pelo capital próprio) mede o retorno sobre o investimento dos sócios.
A rendibilidade líquida das vendas (resultado líquido dividido pelas vendas) mede a margem efetiva por cada euro faturado.
O EBITDA em percentagem das vendas é o mais neutro dos três: mede a margem operacional antes de encargos financeiros, impostos e amortizações, o que permite comparar empresas com diferentes estruturas de financiamento e diferentes políticas contabilísticas de amortização.
Uma empresa com EBITDA positivo, mas resultado líquido negativo, está a ser consumida por encargos financeiros ou amortizações excecionais, não por fraqueza operacional.
Os rácios de atividade respondem à pergunta: a empresa é eficiente?
A rotação do ativo (vendas divididas pelo ativo total) mede quantos euros de receita a empresa gera por cada euro de ativo.
Uma rotação de 2 significa que a empresa gera 2 euros de receita por cada euro investido em ativos. Uma rotação baixa, abaixo da média sectorial, indica ativos pesados, subutilizados ou mal alocados.
O prazo médio de recebimentos e o prazo médio de pagamentos são os dois rácios de atividade mais diretamente ligados à gestão de tesouraria: a diferença entre os dois determina o ciclo de caixa da empresa.
Os rácios de liquidez respondem à pergunta: a empresa consegue pagar as suas obrigações imediatas?
A liquidez geral (ativo corrente dividido pelo passivo corrente) mede a capacidade de cobrir dívidas de curto prazo com ativos correntes. A liquidez reduzida exclui os inventários, que são o ativo corrente menos líquido, para uma leitura mais conservadora.
Estes rácios têm leituras diferentes por sector: um rácio de liquidez de 1,2 pode ser confortável num sector de serviços e insuficiente num sector industrial com ciclos de produção longos.
Os rácios de endividamento respondem à pergunta: a empresa está financeiramente sustentável a médio prazo?
A autonomia financeira (capital próprio dividido pelo ativo total) e a solvabilidade (capital próprio dividido pelo passivo total) medem a independência financeira e a capacidade de absorver perdas.
Uma autonomia financeira de 40% significa que 40% dos ativos são financiados por capitais próprios; os restantes 60% dependem de crédito externo.
"Um rácio isolado diz pouco. Quatro rácios do mesmo grupo, em tendência, revelam para onde a empresa está a caminhar." — Equipa InfotrustGO